Um dos benefícios mais bacanas do programa MVP é o direito a participação no MVP Global Summit – evento anual, que ocorre na sede da Microsoft em Redmond. Ano passado, não pude ir. Mas, decidi que 2018 não me permitiria desculpas. Datas divulgadas, passagens compradas!

Esse seria um Summit diferente. Minha esposa e filho mais novo (um bebe de um ano e oito meses) iriam me acompanhar. Reservamos hotel, planejamos compras, alugamos carro, fizemos um upgrade (pequeno, mas bacana) no transporte e começamos a sonhar.

Oh-oh, minhas costas doem!

Há cerca de um um mês, uma preocupação: Minha esposa começou a sentir um desconforto nas costas. Acupuntura, Quiropraxia, Massagem, Alongamento, Médico, Exames, Diagnóstico: Hérnia!

O que fazer? Uma infiltração e repouso! Com sorte, tudo se resolve antes da viagem (autoengano!?).

Congestionamento e um voo cancelado

Eis que chega o grande dia! Partimos de Campo Bom (onde moro) para Porto Alegre. Objetivo, iniciar jornada para Seattle e para o Summit!

Expectativa: Uma viagem rápida e tranquila, de cerca de 40 minutos e um embarque tranquilo.

Realidade: Congestionamento e trânsito lento – rotas alternativas (Salve Waze!). Mas, chegando em POA, no aeroporto, um presságio do que estava por vir: Nosso primeiro voo havia sido cancelado e nós iríamos ficar cerca de cinco horas no aeroporto até novo voo. Tudo bem, tinhamos tempo!

Oh-oh, minhas costas doem – Parte 2!

Minha esposa ainda sentia dores nas costas. Na verdade, parece que as dores se intensificaram nos últimos dias.

Para compensar, resolvi assumir as vezes de Super Pai! Ou, sendo bem realista, só pai mesmo. Dediquei todo meu tempo para o Otávio (meu filho mais novo). Brincamos, corremos, cumprimentamos todo mundo (ele adora isso). No fim, troquei a fralda dele duas vezes! Gostaria de dizer que era só xixi, mas …

Tá bom, tá bom! Eu confesso! Na nossa casa, eu não troco as fraldas do Otávio com frequência. Para ser brutalmente honesto, nunca tinha trocado até então. Minha esposa sempre “puxou para ela” a responsabilidade e eu nunca briguei para fazer isso. Meu prêmio?! Nunca vi tanto coco em uma fralda só. Por sorte, o rapaz estava cooperativo e ficou paradinho (acho que com pena de mim) enquanto eu colocava um pouco de ordem naquele caos.

Com cinco horas de atraso com relação a nossa expectativa inicial, começamos nossa jornada.

O Rio de Janeiro continua …

Triste! Minha esposa desceu do voo com lágrimas nos olhos e com muita dificuldade para andar. Vi que meus planos de ir para os EUA com a família estavam sendo interrompidos ali. Não seria daquela vez!

Ela tentou um pouco, mas vimos que não seria mesmo possível. Fazer o quê!? Eu explico: Cancelar o voo, recuperar bagagens, encontrar um hotel decente, usar taxi (malas, malas bem grandes), pagar mais que o dobro do valor correto pela corrida, pagar caro pelo hotel, pagar caro pelas passagens de retorno para casa no outro dia.

Ah, enquanto íamos para o hotel, debatendo a intervenção no Rio, vejo um carro da polícia passando com arma para fora da janela (não sei que arma era aquela: metralhadora? não sei!).

Se eu pudesse me sentir em casa…

Hotel não era ruim. Era bem bom, na verdade. Cama boa, chuveiro bom. Cerveja para eu poder relaxar e lamentar um pouquinho.

O pessoal do hotel até que é esforçado… Mas, pense em um povo atrapalhado.

Precisei de mais de 30 minutos para ter a papelada liberada (meu filho pequeno era a explicação da burocracia, pelo que disseram). Por sorte, ele tinha um lugar para brincar (quase duas horas depois do horário habitual dele dormir)

No quarto, não tinha cama para meu filho. Melhor… havia, mas estava trancada e embutida em um móvel.. Precisaram mais 30 minutos para achar a chave que liberava o tal movel. Dormimos.

O Rio de Janeiro continua … – Parte 2!

Malandro! Adoro o sotaque carioca. Adoro o Rio de Janeiro. Tenho pena de ver a condição que a cidade está. Mas, tinha que voltar para casa.

Taxi, … reclamações a respeito do prefeito, da Uber, …

Descobri que o taxista da noite anterior, embora muito simpático, havia me cobrado quase três vezes o valor correto para me levar até o hotel. Pobre do taxista que estava me levando – juro que deu para ver um pouco do brilho nos olhos dele se apagar quando disse o tanto que paguei na noite anterior e que essa é uma das razões de gostar da Uber. Aliás, eles ainda não aceitam pagamento com cartão de crédito.

Oh-oh, minhas costas doem – Parte 3!

Minha esposa não estava melhor. Para dizer a verdade, estava ainda pior. Eu, por outro lado, estava me sentindo o super homem. Carregava duas malas grandes, uma mochila de notebook, uma mala de mão, uma mochila de propósito geral e … empurrava o carrinho.

Meu filho estava com paciência bem pequena. Não queria amigos. Eu estava me esforçando para ver o lado bom das coisas… Mas as dores da minha esposa eram grandes e o aeroporto do Galeão não colabora!

Alguém, por favor, pode me explicar aquele caminho ridículo, descendo e subindo escadas (elevadores, pequenos e lentos, no nosso caso) só para forçar as pessoas a atravessar uma loja de produtos que ninguém quer?

Minha esposa caminha devagar e com dificuldades. Eu, depois de despachadas as malas, cuidava só do Otávio e das duas mochilas.

Hora de voltar

Voltar para casa foi dolorido.

Dolorido para todos nós!

Meu filho acabou ficando bem cansado por pouca coisa. Minha esposa com dores que nem tenho a dimensão de entender. E eu … eu com a dor no bolso (minha esposa tem muita dor nas costas para considerar a dor no bolso) e na alma. Não seria dessa vez que iríamos no Summit (eu para o evento, eles para o passeio).

Voo bom. Otávio colaborou.

Summit, só em 2019

No fim, Summit agora só em 2019. Minha esposa está, nesse momento, deitada. Meu filho está dormindo, eu estou escrevendo.

Não teremos compras. Não teremos palestras. Não teremos networking. Mas, eu tenho a oportunidade de retomar meu ritmo (quase) normal de trabalho e isso também é muito bom.

Boa sorte para todos nós.

Dos EUA, só um café no Starbucks, ali mesmo no aeroporto do Rio (deixei a dieta de lado, só para ver minha esposa sorrir um pouquinho).

Bom, lamentações a parte, se você quer falar comigo, saiba que estou disponível novamente nesses dias …

Este post tem 5 comentários

  1. Gabriel

    Nossa Elemar, a despeito de o relato ser sobre sofrimento, frustração etc, mergulhei na leitura e adorei como você vê o lado bom das coisas. Me faz pensar que adoraria ler um livro seu. Não sobre tecnologia, um livro de ficção talvez? Quem sabe fazer como o Tolkien? Que escreveu um livro para seus filhos, e virou best seller anos depois? Abraço.

  2. Giovanni Bassi

    Poxa, que pena. Melhoras aí. Ano que vem estamos lá!

  3. Rodrigo Kono

    Nossa que saga! Pena q não vai estar conosco… ano, mas q bom q já está tudo tranquilo e bem! Estaremos lá em 2019…

  4. Poxa Elemar que pena de você não ter conseguido realizar está viagem, mas graças a Deus no final tudo se resolveu, seus texto como sempre nos prendem a ler até o final. Melhoras a sua esposa e parabéns por ter esta visão positiva sempre….Sucesso sempre você merece! Abraços!

  5. Elemar,
    Summit só em 2019, mas ter uma família como a sua o tempo todo é um privilégio para poucos.
    Já tive hérnia de disco (na C3) e acredite: DÓI. Espero que sua esposa consiga, como eu, resolver o problema somente com fisioterapia. Peça para ela levar bem a sério, porque muitas vezes dá para evitar a cirurgia.
    E antes de te dar os parabéns pelo pai, marido, companheiro e SER HUMANO que você é, você me permite só um conselho de “irmão mais velho”? Troque mais as fraldas do Otávio. Faça mais almoços para ele. Leve-o ao médico. Apesar de ter feito essas coisas, hoje eu me arrependo de não ter feito mais. Empregos, summits, dinheiros… tudo isso a gente consegue na hora que quer. Limpar aquela bundinha de 18 meses não volta mais.
    Um grande abraço de um irmãozinho que te admira muito!

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