Eu sei que sou privilegiado, em última instância, por poder oferecer, através do meu trabalho, algo que a sociedade valoriza. Isso, entretanto, não muda o fato de que essa capacidade, pelo menos em grande parte, se deve ao meu esforço.

É fácil observar, em algumas pessoas, uma certa tendência de simplificação excessiva das coisas. A ideia de que, eventualmente, encontra-se um “atalho” para quase tudo. Entretanto, embora eu concorde que, vez ou outra, existam mesmo os tais “atalhos”, na prática, em minha experiência, geralmente, não é esse o caso. Pelo contrário, o caminho costuma ser longo e a estrada difícil.

Com frequência, por exemplo, recebo elogios pela minha capacidade de falar em público ou pela capacidade de escrever no volume e na forma que faço. Mesmo percebendo, fazendo auto-crítica, que ambas capacidades ainda precisam ser bem aprimoradas, reconheço que já são bem sólidas em mim. O que me incomoda, reconheço, é a tendência das pessoas associarem minha escrita e fala a algo inato. Não penso que seja assim, pelo menos, não de todo.

Se há algo de comum em tudo aquilo que faço bem é a prática. Eu treino muito, eu pratico muito, e penso que, por isso, acabe tendo menos dificuldade que a maioria das pessoas na “hora do show“. Sou um leitor voraz, tento não impor restrições, e, logo, diversifico tudo que estudo. Adquiri o hábito de tentar fazer associações improváveis para tentar produzir insights originais. Para mim, tem dado certo.

Gosto da ideia de mudar de opinião, entretanto, não mudo facilmente. Geralmente, porque tento ter uma base sólida para meus posicionamentos. Assim, não será por mero “palpite” ou acaso que vou “jogar a toalha” e abraçar novas convicções.

Os episódios dos Drops da EximiaCo, que duram menos de quinze minutos, consomem horas de gravação. Regravo alguns trechos dezenas de vezes. Agora, que passei a produzir alguns vídeos, vejo o mesmo padrão se repetindo. Na minha avaliação, ambas iniciativas ainda estão longe do padrão de qualidade que eu gostaria, entretanto, estão “melhorando”, eu penso, a cada nova tentativa.

Além do esforço – da disponibilidade para se por a prova repetidas vezes errando muito para, em algum instante, acertar aos poucos – penso que também é fundamental ter um pouco foco.

Algumas rotinas, por mais agradáveis, são, em longo prazo, tomadoras de atenção. Honestamente, penso que temos uma capacidade limitada para suportar “cargas cognitivas” – assim, quando nos comprometemos com algo, acabamos precisando abrir mão de outras coisas.

Não dá para ser o melhor corredor, treinando nado. Não dá para ser o melhor ciclista, só levantando peso na academia. Você não será o artilheiro do seu time de “pelada” no final de semana, jogando vôlei durante a semana.

Toda vez que vejo alguém fazendo algo muito bem, imagino quantos anos de esforço, dedicação e foco foram e ainda são necessários. Tudo tem um preço. Escolhendo certo, costuma valer a pena.

Longe do glamour dos palcos, os pés das bailarinas não são tão belos.

Fonte: pé de bailarina

Este post tem um comentário

  1. Vinicius Mamoré

    “Longe do glamour dos palcos, os pés das bailarinas não são tão belos.”

    Fantástico Elemar. Obrigado.

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