Se há algo que aprendi na “escola da vida” é que sempre que temos algo importante para decidir, se não o fizermos, alguém “decidirá” por nós. Quando isso acontece, é comum sentir algo confuso: uma mistura, geralmente indigesta, de alívio e incômodo.

Problemas importantes, que se resolvem a partir de nossas decisões, geralmente se encaminham para uma resolução “a força”. Parece que o universo tem uma condição de equilíbrio que, mais cedo ou mais tarde, acabará sendo restaurada. Postergar por muito tempo uma tomada decisão não impedirá que ela ocorra, nem que seja de maneira alheia a nossa vontade.

Relações de todas as naturezas – trabalho, matrimônio, parcerias, etc -, quando tem encerramento anunciado publicamente, geralmente, já deixaram de existir há muito tempo. Com frequência, uma das partes desistiu de fazer a relação funcionar bem antes, entretanto, ao invés de pôr um “ponto final”, resolveu “empurrar com a barriga” até que a outra parte, esgotada, finalmente, faça algo, decida!

Muitas vezes, por comodismo, deixamos de fazer o que obviamente tem que ser feito na esperança de que as coisas “voltem para os trilhos”. As vezes, elas até voltam, pelo menos por um tempo. Entretanto, na maioria dos casos, o que está errado continuará, simplesmente, dando errado, se nenhuma ação corretiva for adotada.

Tenho um amigo, que, há tempos, estava “brigando” com um negócio que lhe consumia tempo, energia e dinheiro (muito dinheiro, aliás). A decisão a ser feita era se manter o negócio “aberto” – comprometendo ainda mais recursos bons em um negócio ruim – ou “fechar as portas”. Demorou para decidir, Coronavírus acabou deixando-o sem opções.

Em algum ponto, todos temos que fazer escolhas e, fatalmente, renúncias. Afinal, oportunidades de trabalho, por exemplo, não continuam abertas para sempre. Prudência não pode ser justificativa para paralisia por análise. De maneira geral, a felicidade não espera!

Cansei de ver profissionais, insatisfeitos com seu emprego atual, ficarem “ensaboando” ofertas de trabalho até o fechamento da janela de oportunidade. Logo depois, eles mesmos acabam desligados do lugar onde trabalhavam e ficam “perdidos”. Também não são raros os casos de pessoas infelizes em seus casamentos que, por algum motivo, os mantém. Em algum momento, entretanto, é comum que enfrentem uma “reação veemente” da outra parte.

Como “chefe”, diversas vezes, “segurei as pontas” de gente que estava entregando resultados muito abaixo do esperado. Adiava o “desligamento” sempre mais para frente. Adiava a decisão. Por ironia, entretanto, em todas as ocasiões onde posterguei minha decisão de preservar ou desligar alguém, prolongando as relações de trabalho, fui deixado “na mão”, mais tarde, por essa mesma pessoa (que recebeu uma proposta melhor).

A maior parte dos dilemas, meus e dos outros, não envolve uma escolha certa e outra errada. Aliás, o problema, na maioria dos casos, é não fazer escolha alguma – o que também é uma decisão, só que, com frequência, motivada por descaso ou covardia.

O protagonismo de nossas vidas só acontece para aqueles que entendem que não precisam e nem devem abrir mão de tomar decisões .

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