Sempre fui péssimo jogando videogames. Aliás, esse é um dos motivos para eu ter começado a olhar computadores de outra forma. Sendo incapaz de “vencer a máquina”, talvez fosse mais fácil programá-la! Assim, de “jogador frustrado” iniciei, bem cedo, minha jornada como “amador remunerado“.

De tempos em tempos, faço uma nova tentativa como “jogador”, mas, sempre com resultados frustrantes. Há alguns anos, por exemplo, comprei um XBOX One para meu filho mais velho. Dediquei alguns dias tentando aprender o “jogo famoso” na esperança de ensinar (doce ilusão) o guri. Resultado: impaciente com minha “explicação”, ele tomou o controle das minhas mãos e chegou em poucos minutos a fase que eu havia demorado dias para chegar. Derrota!

Agora, em quarentena, nova tentativa. Nos raros momentos que tenho me permitido “folga”, resolvi encarar o Mário Tennis Aces (bem legal, a propósito). Tudo dava certo e eu, com natural dificuldade, conseguia avançar lindamente. Aos poucos, fui pegando o jeito e superando desafios, até, ter de encarar o “Boom Boom”! Raiva.

“Boom Boom”, meu adversário fez ressurgir alguns  fantasmas do passado. Novamente, comecei a me sentir incapaz de jogar e só não quebrei o pequeno console porque: 1) não faz meu feitio e; 2) o console não é barato e; 3) ele não é meu.

Foram dias tentando vencer aquele que parecia invencível – tudo isso em isolamento e distanciamento social. Quando eu achava que as coisas iriam melhorar e eu achava que era questão de tempo eu poder avançar, “Boom Boom” me humilhava. Não sei bem como, ele conseguia “devolver” meus ataques com contra-ataques ainda mais fortes. Além disso, os malditos Mechakoopas inundavam meu lado da quadra e explodiam perto de mim.

Persistência e consistência, algo que aprendi como essencial para a vida, dessa vez, não me deixaram desistir. Até que ontem a noite, a vida, essa caixinha de surpresas, resolveu surpreender outra vez: Não sei como, derrotei “Boom Boom”! Vibrei! Vitória!

Depois do meu êxito, fui para cama comemorando sozinho a vitória e caí novamente no mundo real. Na minha “checagem diária” da internet (reduzi meu contato com fontes de notícia desagradáveis) vi que o Coronavírus continua forte. Parece que tem gente jovem, sem doenças graves anteriores, morrendo. Senti um frio na espinha!

Hoje de manhã voltei a internet e confirmei que o mundo não repercutia minha vitória sobre “Boom Boom”. Parece que o “fato relevante” era que o governador havia dito que o comércio e as escolas deveriam continuar fechadas! Desanimado, constatei que o IPVA dos carros estariam vencendo nos próximos dias e, parece, não haverá prorrogação de prazo para pagamentos. Maldito Coronavírus, maldito governador, maldito presidente! Já sinto saudades dos Mechakoopas – eles nem atrapalhavam tanto assim.

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