RANT

Quer adotar tecnologia nova? Demonstre o benefício ou faça o favor de IR EMBORA

Outro dia, meu amigo Giovanni Bassi compartilhou o seguinte tuíte:

Ele e eu concordamos em discordar muitas vezes. Esta é mais uma dessas ocasiões.

A parte em que concordamos (eu acho!)

A Hibernating Rhinos usa KnockoutJS. A Red Hat e a Google ainda usam GWT. O Windows ainda opera com COM+ (aliás, quase tudo da Microsoft).  São empresas menos interessantes? Claro que não!

Para mim, desenvolvedores bons deveriam se preocupar com qualidade do código muito antes de se preocupar com o uso do framework A ou framework B. Aliás, eles se preocupam. Não?

A boa notícia de focar em qualidade do código é que ela não depende (há quem discorde) do negócio. Depende só do time!

A parte em que não concordamos

Eu entendo que toda nova tecnologia tem que gerar resultado mensurável para o negócio. Caso contrário, é apenas custo.

Há benefícios que o “negócio” não percebe? Pois bem, não estamos sendo felizes em demonstrar esse valor.

O que eu penso

Para ser sustentável, tecnologia tem que ter bom ROI. Isso, infelizmente, muitas vezes, não acontece em passo tão acelerado quanto o do surgimento de novas tecnologias. (pense, por exemplo, na frustração de quem investiu pesado no desenvolvimento de um sistema usando MVC para entender, meses depois, que o “certo” seria ter usado WebAPI porque “o browser é o rei”)

Quer usar uma tecnologia nova? Tudo bem. Nunca esqueça entretanto que, no final do dia, alguém tem que pagar a conta. Minha sugestão: não os deixem falando sozinhos em uma sala. DEMONSTRE VALOR!

Somos stakeholders, sim! Entretanto, nunca esqueça que toda iniciativa precisa de sponsors.

Em tempo, também discordo muitas vezes do que o Uncle Bob fala mas, há algum tempo, ele escreveu um texto que serve como ótima reflexão.

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10 Comentários
  1. Rafael Leonhardt

    Parabéns pelo post Elemar. Quando li o tweet do Giovanni além de discordar fiquei preocupado com a mensagem que ele está passando, visto que é um influenciador e palestrante importante.

    1. Elemar Júnior

      Eu entendo o ponto dele. Mas, acho que ele está simplificando a equação.

    2. Matheus de martino

      Fala grande Elemar, concordo plenamente, são questões complexas que demandam análise profunda e para mim o mais importante é o código bem escrito e regras claras.

  2. Kelps Sousa Alux

    Grande Elemar! Concordo plenamente com você. Sou a favor de usar novas tecnologias sempre que possível, mas sou contra mudar de tecnologia simplesmente porque tem algo mais novo disponível. Trabalho até hoje com projetos usando .NET Web Forms, porque: 1 – não é trivial mudar a plataforma de um produto usado por muitos clientes; 2 – atende muito bem às necessidades atuais da ferramenta e dos clientes;

    Em uma nova versão, se decidirmos atualizar a plataforma, teremos que ter em mente que é um produto e isso vai ter um impacto grande em clientes existentes que queiram ir para a nova versão. Pensando em projetos isolados é mais fácil adotar novos frameworks e novas plataformas, mas falando de produtos ou de sistemas de longa duração essa conversa é sempre mais complexa e não pode nunca ser tratada de forma booleana.

    1. Elemar Júnior

      Em algum momento, a tecnologia vai cansar. Haverá um momento em que a “escassez” tecnológica irá cobrar um preço por não ser fácil, para o NEGÓCIO, se manter competitivo. Nesse momento, a migração vai ocorrer.

      É sempre uma questão de timing e ROI.

  3. Tiago Rodrigues

    Elemar, você sempre argumenta suas críticas de maneira muito bem pensada. É muito gratificante ouvir controvérsias altamente embasadas e com bastante coerência.

    1. Elemar Júnior

      Muito obrigado, Tiago.

  4. Giovanni Bassi

    Elemar, acho que você falha em críticar o ponto principal do Tweet, que é que cada dia menos pessoas aceitam trabalhar com tecnologia antiga. Não tem nada a ver com o negócio não ver valor em atualizar tem a ver com o fato de que programadores de classe mundial dificilmente vão querer trabalhar com velharia. Não é uma questão de julgamento, são fatos, basta você ler os comentários ao meu Twitt acima.
    Sim, o ideal é que o negócio demande a atualização da tecnologia, e muitas vezes isso faz bastante sentido, no entanto, a empresa que não se atualizar vai ter seu projeto ameaçado por falta de profissionais. Isso não cabe a mim ou a você gostar, é um fato da vida.

    1. Elemar Júnior

      Giovanni,

      O primeiro problema é definirmos o que é um programador de “classe mundial”. Isso porque boa parcela dos programadores que encontramos no mercado sabe bem pouco sobre estrutura de dados, funcionamento de memória e um bocado de outros aspectos essenciais para os classificar como “primeira linha”.

      Os bons programadores que conheço se empolgam por: 1) tamanho do desafio; 2) qualidade do time e código e; 3) Tecnologia empregada.

      Boa parte dos programadores de primeira linha que conheço escrevem código em C. Boa parte embarcada em devices que passam muito longe das “facilidades” da programação moderna.

      O mercado muda, Giggio. Você sabe que ainda estamos em uma bolha de TI. Daqui há um tempo, acredito, a situação será invertida: Programador “meia boca” que fica escolhendo tecnologia vai ter dificuldade para se manter por falta de projetos de qualquer natureza.

      Outro ponto: Programadores profissionais precisam gerar retorno. Para serem chamados de stakeholders, precisam estar alinhados com o propósito do projeto onde se encontram. Se lhes falta a capacidade essencial de mostrar o porquê de um investimento tecnológico, são apenas entusiastas, bem longe de serem profissionais.

      ROI é essencial. Sempre foi e, acredito, sempre será. Esse sim, amigo, é um fato da vida (capitalista). Você pode até não gostar, mas não mudará nada o resultado.

  5. Emmanuel

    Olha esse Elemar plantando a discórdia 🤣. Ótima discussão. Concordo com você no ponto em que menciona os investimentos relacionados ao retorno. Já trabalhei em empresas que não mudavam simplesmente por inércia, mesmo em projetos novos com equipe capacitada, mas muitas vezes é como você descreve: houveram investimentos em uma tecnologia x e uma y aparece de forma “disruptiva”. Nesse caso as vezes não há espaço para uma mudança tão drástica. E quanto mais o o profissional estuda, ele mesmo acaba percebendo que o que importa é saber seguir boas práticas e modelar de forma consciente. Claro que usar a última tecnologia é absurdamente prazeroso, mas é “aí que o diabo se esconde” 🤣.

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